2 de junho de 2014

- Tá falando sério???




Sinceramente, eu queria escrever tudo que o pessoal gosta de ler (quem tem esse hábito), não ‘incomodar’ ninguém com críticas aos métodos, denominações, teologias e líderes. Pensar em assuntos interessantes para escrever, debater, acrescentar conhecimento, sugerir coisas, fazer exegese em alguns textos para edificar o pessoal que lê. Deixar de ser um ‘cara chato’ que só critica, critica e critica.

Mas acabo me confrontando o tempo todo com uma infinidade de pessoas tropeçando em assuntos elementares ou posições teológicas e suas práticas. Para ficar claro quando falo de posições teológicas e suas consequentes práticas: dízimo, dons espirituais, eleição, batismo, ordenação feminina, apostolado, liderança, obediência civil, justiça social, e outras coisas.

Então me pergunto: “tá falando sério???”

Enquanto as pessoas não saírem desse nível de conversa, não tem como trabalhar com assuntos mais profundos (não que essas coisas não sejam importantes). Mas enquanto houver toda sorte de aberrações, heresias, erros, equívocos e confusões rodeando esses assuntos, não há jeito de progredir.

Vou ter que continuar sendo um ‘cara chato’? Acho que sim. Vou ter que escrever sobre esses assuntos? Muito provável.

O estopim para isso foi o recente caso que aconteceu com meu amigo Nilton Moura, aonde este foi chamado de ‘enviado de Satanás’, acusado de ‘tocar no ungido do Senhor’ (essa é ótima), disseram que ele seria repreendido pelo Espírito Santo, que deveria se arrepender e não deveria julgar para não ser julgado.
O motivo? Uma crítica sincera e bíblica contra o caos carismático e a ‘macumba gospel’ que tomou conta de um culto da sua antiga igreja (que por sinal, também fui de lá longos anos da minha infância). O que quero dizer com caos carismático? Quando coisas místicas como sopros, danças, ‘cai-cai’, línguas, etc, substituem a pregação da Palavra de Deus, neste caso, num culto de mais de duas horas de duração.
Há quem diga que "as coisas de Deus são loucura para o homem".

Bom, Deus não pode ir contra a sua própria Palavra. Se toda a questão de dons está regulamentada pela Bíblia, o povo faz diferente de tudo que Paulo escreveu e ainda querem usar um texto fora do contexto para justificar suas sandices, fica óbvio que há alguma contradição nessa história. Será da parte de Deus? Da Bíblia? Ou dos carismáticos?

Não há solidez na Palavra. Há um antropocentrismo que invoca para seu bel prazer experiências místicas, quase esotéricas, mais parecidas com os cultos e rituais pagãos da idade média do que com um culto racional como Paulo orienta que seja.

Alguém disse que crer é pensar. Concordo em partes com essa citação (o motivo é papo pra outro texto). Nesse caso em particular, faz todo o sentido. Um grande teólogo contemporâneo diz que: se distribuirmos folhas em branco na igreja, e pedir para os membros escreverem sobre Deus, Jesus, pecado, fé, graça, salvação, últimas coisas, iríamos perceber que a grande maioria dos membros não saberiam discorrer de forma profunda sobre nenhum ou quase nenhum desses temas centrais do cristianismo. Isso é um fato empírico! Só ainda não demos as folhas, mas percebe-se muito facilmente a ignorância das pessoas para esses assuntos.
Ora, como pode haver experiências mirabolantes com um Deus que, pouco, ou quase nada dele se conhece? 
Rejeitam o conhecimento teológico para a prevalência da experiência espiritual. Como vai existir relacionamento e experiência espiritual com um Ser que, não se conhece seus atributos, suas leis, o que Ele fez na história, seus dogmas, suas orientações, o que Ele prescreveu como normas para sua própria família?


Pode ser que exista muita gente boa sendo mal ensinada, ludibriada, aliciada. Sim, compreendo isso. Muitos homens irão prestar contas com Deus pela omissão da verdade ou pior, pela maldade em disseminar falsos ensinos. Mas também não é possível que o cristão mais simples, ao confrontar qualquer experiência com o crivo da Palavra, e vendo que essa confusão não é de Deus, não consiga enxergar que tem alguma coisa errada.
O problema é que a Bíblia foi trocada pelo 'poder'. Os louvores foram trocados pelas músicas gospel. Os mestres na Palavra foram trocados por animadores de palco, gritadores, se espelham mais em 'Tim Tones' e Benny Hinn do que em Paulo de Tarso.
E neste ponto, até o cristão mais simples tem culpa por abandonar as Escrituras e transformar a fé num elemento místico, quase gnóstico.

Lamentável.

Minhas sinceras condolências ao meu grande amigo pelos novos apelidos que ganhou e desejo que a Palavra continue sendo a sua regra de fé e prática, sujeitando todas as coisas à ela.

Irei escrever uma série de textos de forma pontual, sobre esse caos carismático, confrontando toda experiência com a Bíblia e com a tradição.


#NiltonnãoéumenviadodeSatanás

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